O Bê-a-bá do Sertão - Paraíba - Bolsonaro põe presidencialismo de coalizão à prova
Política 25.11.2018 - Ao arriscar novo estilo:

Bolsonaro põe presidencialismo de coalizão à prova

     
Compartilhe

Bolsonaro põe presidencialismo de coalizão à provaEleito subverte modelo na escolha de ministros e na relação com deputados, dizem pesquisadores.


A possibilidade de Jair Bolsonaro(PSL) estabelecer uma relação diferente com os partidos de sua base de apoio, desafiando o modelo de coalizão vigente, já ouriçou o Congresso e deixou pesquisadores da política no Brasil com olhos e ouvidos atentos.


As mudanças em curso pelo presidente eleito incluem a indicação de ministros sem ligação com legendas e a anunciada vontade de negociar votações na Câmara com as bancadas temáticas em vez de passar pelos líderes das siglas.


Negociar não é feio. Desde que estejam em jogo políticas públicas, numa discussão legítima, honesta. Feio é negociar falcatrua”, diz o sociólogo e cientista político Sérgio Abranches, que cunhou em um artigo de 1988 a expressão presidencialismo de coalizão para descrever a forma como presidentes no país obtêm maioria para passar as propostas.


Nos governos pós-redemocratização, a formação ministerial e a relação com os parlamentares se solidificou na lógica de troca de cargos e de verbas, estilo que Bolsonaro diz ter a intenção de abolir.



Formar alianças, dizem cientistas políticos, não é o problema - é até indispensável, já que nenhum presidente teria maioria no Legislativo se contasse só com seu partido. A questão é que negociar para governar virou sinônimo de cooptação, afirma Abranches. “Esse ciclo político se esgotou. O eleitor não aceita mais isso”.


Bolsonaro propõe, desde a campanha à Presidência, uma quebra de paradigma. Na escolha dos ministros, diz priorizar a capacidade técnica, como quando chamou Sérgio Moro, sem filiação partidária, para a pasta da Justiça.


Em outros casos, buscou palpites de bancadas temáticas. Dos parlamentares do agronegócio veio a sugestão de Tereza Cristina(MS) para a Agricultura. Dos deputados ligados à saúde saiu o nome do futuro titular do ministério da área, Luiz Henrique Mandetta(MS).


Ambos são do DEM, mas o futuro presidente diz se tratar de uma coincidência, e não de uma bênção ao partido do próximo titular da Casa Civil, Onyx Lorenzoni(DEM-RS), aliado fiel na campanha e um dos homens fortes na composição do novo governo.


A fórmula que o presidente tenta implementar está em consonância com a onda de rejeição dos eleitores à política sustentada por conchavos e barganhas.



Já o plano de também recorrer às bancadas na hora de negociar a aprovação de projetos é controverso. Isso colocará o novo presidente em conflito com a Câmara. Ele pode formar o governo com esse padrão, mas não governa com esse padrão. No Parlamento tudo gira em torno das legendas, e os líderes não vão deixar que o presidente passe por cima dos partidos e utilize as suas bancadas para aprovar os projetos dele.


Lideranças de frentes parlamentares vêm manifestando insatisfação com o novo modelo. Afirmam que a estratégia é equivocada e reivindicam uma abertura de diálogo. Esse discurso de hostilizar partidos pode funcionar durante a campanha. Mas agora não tem a menor condição, senão virá uma retaliação muito grande.


Nunca aconteceu, embora não se saiba ser inviável. O fato de nunca ter ocorrido não quer dizer que nunca poderia ser feito, porém, a dificuldade é evidente, já que o que funcionou no passado foram maiorias construídas a partir da negociação com lideranças partidárias.


As bancadas evangélica, ruralista e da bala, têm uma agenda em cima de um assunto específico. Quando o assunto é outro, não está dado que elas votem disciplinadamente e em unidade.


A participação no governo ocorre em qualquer lugar do mundo. Os partidos que ganharam a eleição vão para os ministérios, simples assim. O problema é que aqui existem muitos partidos, aí a negociação fica complicada.

                       

Deixe o seu comentário







Respeitamos o direito de opinão e expressão. O espaço para comentários é um espaço democrático destinado às opiniões relativas ao texto originalmente publicado.
Não serão publicadas quaisquer mensagens com conteúdo calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade, ou, ainda, que desrespeitem a privacidade alheia, que tenham caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas, ou, ainda, que tenham linguagem grosseira e/ou obscena.
Não serão publicados comentários que tentam se aproveitar deste espaço democrático para “destacar” outros sítios ou blogues ou, ainda, que tenham por objetivo comercializar produtos ou serviços.
Comentários anônimos, desconexos ou sem sentido em relação ao tema comentado também serão descartados.




Copyright © 2002/2018 - O Bê-á-bá do Sertão - Todos os direitos reservados
Contatos: (0xx83) 99967.1500 - Paraíba - Brasil
E-mail para contatocomercial@obeabadosertao.com.br