O Bé-a-bá do Sertão - Paraíba - Como reduzir a mortalidade de recém-nascidos
Saúde 27.09.2019 - Cardiopatias congênitas:

Como reduzir a mortalidade de recém-nascidos

     
Compartilhe

Como reduzir a mortalidade de recm-nascidos

As cardiopatias congênitas são o termo genérico atribuído a anormalidades na estrutura ou na função do coração surgidas ainda na formação do bebê – nas primeiras semanas de gestação. Entre os tipos mais comuns estão:

– Alterações na válvula cardíaca;


– Alterações nas paredes entre os átrios e ventrículos do coração;


– Anormalidades no músculo cardíaco.



Contexto global e brasileiro
De acordo com a American Heart Association, a Associação Americana do Coração, estima-se que o problema afete 1 em cada 100 crianças no mundo. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria(SBP) calcula que seja necessário fazer intervenções cirúrgicas em 21 mil bebês a cada ano.

No país, o registro de mortes causadas pela doença é de 107 casos para cada 100 mil nascidos vivos, conforme o Sistema de Informações sobre Mortalidade(SIM) do Ministério da Saúde. Desse total, 30% dos óbitos acontecem no período neonatal precoce.


Devido à falta de diagnóstico nos hospitais brasileiros, entretanto, os dados podem ser ainda mais preocupantes, segundo Patrícia Guedes, presidente do Departamento Científico de Cardiologia Pediátrica da SBP. “Sem dúvida existe a subnotificação”, afirma. Globalmente, as cardiopatias são responsáveis por 40% dos defeitos congênitos, sendo uma das malformações mais recorrentes – além de ser a de maior mortalidade.

Para aprimorar sua atuação profissional no cuidado ao recém-nascido, confira a atualização em Neonatologia desenvolvida pela SBP.


Principais fatores de risco
Na anamnese, é importante que o pediatra saiba identificar os possíveis motivos que estimularam o desenvolvimento das cardiopatias. Os principais são:

– Histórico familiar: parentes de primeiro grau que sofrem de cardiopatias congênitas.


– Fatores maternos: diabetes ou fenilcetonúria mal controladas, consumo de álcool, exposição a toxinas ambientais e infecções.



Diagnóstico das cardiopatias congênitas
Em geral, o motivo mais frequente de encaminhamento para o cardiologista é a detecção de alterações na ausculta cardíaca – especialmente a presença de sopro. As cardiopatias dividem-se em dois tipos: acianóticas e congênitas cianóticas.



O diagnóstico é feito a partir de eletrocardiograma, raio X de tórax, ecocardiograma e, em alguns casos, angiotomografia. Recomenda-se a realização de ecocardiograma fetal para diagnosticar cardiopatias no período pré-natal, mesmo que não haja suspeita no funcionamento ou formato do coração no ultrassom morfológico.


Ações de combate
Além de investimentos para um diagnóstico assertivo, é necessário termos medidas assistenciais para reduzir as mortes por cardiopatias congênitas – sejam elas a curto ou longo prazo.

Em 2017, o Ministério da Saúde lançou o Plano Nacional de Assistência à Criança com Cardiopatia Congênita, com contribuição da SBP. A iniciativa tinha como maior objetivo ampliar a atenção a pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS) e melhorar a estrutura de atendimento – especialmente por conta da carência de leitos de UTI neonatal e pediátrica e cardíaca pediátrica no país.

O plano do MS teve origem no documento Programa Nacional para o Tratamento Integral de Crianças com Diagnóstico de Cardiopatia Congênita, desenvolvido por um comitê composto por diversas entidades: SBP, Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBSCCV) e Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI).



Em menos de um ano, de junho de 2017 a março de 2018, o Plano surtiu efeitos positivos. Houve aumento de 8% na quantidade de cirurgias e redução de 35% no número de pacientes em espera. Entre as medidas adotadas está o reajuste dos valores pagos para quase 50 procedimentos de cirurgia cardiovascular pediátrica e a mudança no tipo de financiamento público – que passou a custear os procedimentos através de recursos extras.

Mas também é preciso dar destaque à assistência aos grupos de risco, como prematuros. Isso porque um estudo publicado no final de 2018 sinalizou que bebês prematuros, com baixo peso e comorbidades apresentaram um perigo mais alto de mortalidade por cardiopatias congênitas.


Diante desse cenário, o pediatra deve estar atento às estratégias de manejo desses pacientes.

                       

Deixe o seu comentário







Respeitamos o direito de opinão e expressão. O espaço para comentários é um espaço democrático destinado às opiniões relativas ao texto originalmente publicado.
Não serão publicadas quaisquer mensagens com conteúdo calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade, ou, ainda, que desrespeitem a privacidade alheia, que tenham caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas, ou, ainda, que tenham linguagem grosseira e/ou obscena.
Não serão publicados comentários que tentam se aproveitar deste espaço democrático para “destacar” outros sítios ou blogues ou, ainda, que tenham por objetivo comercializar produtos ou serviços.
Comentários anônimos, desconexos ou sem sentido em relação ao tema comentado também serão descartados.




Copyright © 2002/2019 - O Bê-á-bá do Sertão - Todos os direitos reservados
Contatos: (0xx83) 99967.1500 - Paraíba - Brasil
E-mail para contatocomercial@obeabadosertao.com.br