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Saúde 27.09.2019 - Doença neurológica:

Epilepsia infantil: como identificar a origem e classificar a doença

     
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Epilepsia infantil: como identificar a origem e classificar a doença

A epilepsia é a doença neurológica mais recorrente entre crianças. Em artigo, Vera Terra, presidente da Liga Brasileira de Epilepsia(LBE), observa que a prevalência da epilepsia infantil pode chegar a 375 casos para cada 100 mil habitantes. Embora a administração medicamentosa seja a alternativa mais comum para a redução das crises, casos refratários têm tratamento mais complexo.

A epilepsia se manifesta como repetidas crises, em intervalos e frequência variáveis, decorrentes de descargas neurais anormais. Em meio ao evento, podem ocorrer perdas de consciência, eventos motores, sensoriais, autonômicos - como suor excessivo e queda de pressão - ou psíquicos involuntários.

A doença é mais incidente no primeiro ano de vida, devido à imaturidade do cérebro e maior propensão às descargas cerebrais anormais. Os episódios diminuem até a adolescência, com chance de recorrência entre 23% e 71% após uma crise isolada na infância. Crianças nascidas em países em desenvolvimento e em áreas rurais são mais vulneráveis à epilepsia infantil.

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Causas e consequências
A epilepsia ocorre por motivos diferentes, e varia conforme a idade do paciente. Entre crianças, as causas mais comuns são a anóxia neonatal(falta de oxigenação no cérebro durante o parto), as alterações metabólicas e as crises convulsivas febris(mais frequentes entre seis meses e cinco anos).

Outras condições médicas podem causar a epilepsia infantil, como tumores cerebrais, encefalite e meningite viral - assim como ferimentos na cabeça.

As crises epiléticas podem comprometer o desenvolvimento infantil tanto comportamental quanto cognitivo. Ao abalar a rotina, a doença afeta a qualidade de vida e o desempenho escolar da criança. Quando o comprometimento causado pela atividade epileptiforme é além do esperado pela patologia subjacente, caracteriza-se uma encepalopatia epiléptica, que pode apresentar agravamento progressivo.


Sintomas da epilepsia infantil
Existem diferentes sintomas da epilepsia, podendo aparecer em conjunto ou isoladamente. Por isso o diagnóstico precoce é tão importante. O pediatra, então, deve atentar para os seguintes sinais:

- Alteração discreta de comportamento;

- Olhar parado;

- Crises de ausência: a criança para brevemente a atividade que estava fazendo e pisca rapidamente ou faz movimentos automáticos das mãos;

- Crise tônico-clônica ou “convulsão”: caracterizada por perda de consciência, abalos musculares generalizados, sialorreia(salivação excessiva), mordedura na língua e perda de urina e fezes;

- Crise convulsiva febril: caracterizada por febre alta.


Classificação
Os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas(PCDT) servem de guia para os profissionais envolvidos no diagnóstico e tratamento da epilepsia infantil. O documento foi formulado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias(Conitec), que assessora o Ministério da Saúde(MS) e classifica as epilepsias em dois grandes eixos.


Topográfico (manifestações clínicas iniciais)
Generalizadas: As crises envolvem os dois hemisférios cerebrais ao mesmo tempo e costumam ter origem genética. Provocam alteração da consciência e as manifestações motoras(quando ocorrem) são bilaterais, por meio de mioclonias palpebrais, ausência mioclônica, mioclônico‐atônica(como as típicas da Síndrome de West) e mioclônico‐tônico‐clônica(TCG).

Focais: Podem se manifestar por meio de automatismos, parada comportamental, hipercinética, autonômica, cognitiva e emocional. Iniciam numa área específica do cérebro e se manifestam de acordo com o local de início e da velocidade de propagação da descarga epileptogênica. Quando atingem todo o córtex cerebral, podem evoluir para uma TCG. As crises focais simples não causam inconsciência, diferentemente das complexas, que causam perda ao menos parcial da consciência.



Etiológico
Idiopáticas: Probabilidade de ligação genética, mas sem causa aparente;

Sintomáticas: Apresentam uma causa, como esclerose temporal mesial, neoplasias cerebrais primárias e malformações do desenvolvimento corticocerebral.

Criptogênicas: Pode ter uma causa, mas os médicos não conseguem encontrá-la.


Tendo isso em mente, a próxima etapa é a anamnese.

                       

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