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25.01.2012 - 50 anos:

Hospital Napoleão Laureano conta com apoio de parlamentares


Napoleão Rodrigues Laureano: Médico revolucionou o tratamento do câncer no Nordeste.


João Pessoa(PB) - Senadores e deputados federais que compõem a bancada paraibana no Congresso Nacional desde 2009 têm se empenhado em colaborar com o Hospital Napoleão Laureano. Os valores consignados no Orçamento, através de emendas individuais, já chegam com destinação de uso determinada pelos parlamentares e visam principalmente despesas de custeio e aquisição de equipamentos.


O Hospital Laureano chega a receber recursos destacados por parlamentares de bancadas de outros estados, como é o caso da deputada Luiza Erundina de São Paulo.


Para o orçamento deste exercício, salientamos a expressiva participação do deputado federal Ruy Carneiro, cuja emenda visa a aquisição de um PET CT(Positron Emission Tomography/Computed Tomography), equipamento de tecnologia avançada, de diagnóstico por imagem.



Segundo João Simões(Foto acima), diretor do Hospital Laureano, os motivos que mantém a Instituição merecedora de recursos públicos, são a seriedade, a credibilidade e a transparência com que a mesma vem conduzindo ao longo de 50 anos de ininterrupta atividade. A tempestiva prestação de contas é igualmente de extrema importância: “Informamos o andamento de cada passo do processo necessário para o recebimento de recursos públicos, e a seriedade com que o Hospital atua é parâmetro para estarmos sempre nas intenções dos parlamentares”, afirma.



O Hospital Laureano é referência em atenção oncológica no Estado da Paraíba, atendendo em tratamento oncológico mensalmente cerca de 3100 pacientes do SUS oriundos de todo Estado.



Biografia


Napoleão Rodrigues Laureano: Médico revolucionou o tratamento do câncer.

Napoleão Rodrigues Laureano nasceu em Riacho de Natuba, então integrada ao município de Umbuzeiro(PB), a 22 de agosto de 1914 e desencarnou no Rio de Janeiro(RJ), a 31 de maio de 1951. Era filho do tenente Floriano Rodrigues Laureano e Theophila Bezerra da Silva. Foi casado com Marcina Sampaio de Melo Laureano, filha de José Oemio de Melo e Maria Sampaio de Melo. Como filha, o casal adotou Maria do Socorro Sampaio Laureano, nascida em Recife(PE) em 18 de junho de 1946.


Em 1943, diplomou-se pela Faculdade de Medicina pela Universidade Federal de Pernambuco após um curso brilhante, onde se distinguiu entre seus companheiros de turma; foi discípulo do renomado professor Ageu Magalhães, grande anatomo-patologista pernambucano, tendo freqüentado o Serviço Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro. Especializou-se em cirurgia do câncer.


Logo após sua formatura, voltou a João Pessoa e abriu consultório na rua Barão do Triunfo, 474, 1º andar. Conforme anúncio publicado no jornal "A União" durante o mês de outubro de 1944, Napoleão Laureano oferecia seus serviços nas seguintes especialidades: doenças das senhoras, operações, partos, tratamento cirúrgico das cicatrizes e outros defeitos congênitos ou adquiridos. A essa época residia à rua Monsenhor Walfredo, 663, em Tambiá, João Pessoa(PB).


Ao lado do doutor Asdrúbal Marsiglia de Oliveira, Laureano foi dos primeiros médicos paraibanos a se dedicarem ao tratamento do câncer, uma doença maldita e preconceituosa nos anos 40. O canceroso, mesmo entre os profissionais da Medicina, era discriminado. Nem todos se acercavam do paciente com uma dose de humanismo.



Participação política

Desde os tempos de universitário, vivendo os momentos finais da ditadura de Getúlio Vargas, Laureano engajara-se no movimento dos estudantes pernambucanos contra o Estado Novo. Era natural seu comportamento nessa fase da vida brasileira, embora não fosse um militante de primeira linha.


Sua dedicação no atendimento dos pobres fê-lo ingressar na política em 1945, por ocasião da redemocratização, filiando-se à União Democrática Nacional - UDN, partido por onde foi eleito vereador para a Câmara Municipal de João Pessoa, hoje Casa Napoleão Laureano.


Após tantos anos sem funcionar, a campanha para vereador foi bastante renhida por se tratar da primeira eleição para a Câmara Municipal, com os candidatos se engalfinhando na disputa por apenas doze vagas.


A União Democrática Nacional - UDN fez a maioria dos vereadores, tendo Napoleão Laureano recebido uma votação consagradora, ficando em segundo lugar, com 959 votos, suplantado apenas pelo vereador Cabral Batista, que obteve 974 votos.


Na primeira eleição da Mesa Diretora da Câmara, ele foi eleito Vice-presidente, tendo logo em seguida assumido a Presidência, desde que o Presidente, vereador Miguel Bastos, assumira a Prefeitura, uma vez que seus titulares, prefeito e vice-prefeito entraram de licença para tratamento de saúde. Assim, Laureano foi o primeiro Presidente da Câmara Municipal de João Pessoa nessa nova fase.


Sua liderança era inconteste, pois chegou a ser seu presidente no período de 49 a 51, tendo se afastado por ter sido acometido de câncer. Com sua morte a 31 de maio de 1951 deixou de assumir a presidência da Câmara, cuja direção era composta por ele, como Presidente; Miguel Bastos Lisboa, Vice-presidente; Henrique Bernardo Cordeiro; 1º Secretário; João Batista Cabral, 2º Secretário. Logo após a sua morte, no dia 5 de junho o vereador Miguel Bastos Lisboa foi eleito para substituí-lo.


Era Governador do Estado José Amé
rico de Almeida.



O martirológio
A doença de Laureano ensejou uma luta sem quartel, promovendo uma grande campanha nacional em prol da assistência hospitalar aos cancerosos do Brasil, contribuindo para a fundação do Hospital do Câncer da Paraíba e a criação da Fundação Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro.


Por sua pertinácia na conquista desse desiderato, foi consagrado como o patrono dos cancerosos.


O noticiário do jornal "A União", a partir de 13 de março de 1951, passou a informar com assiduidade a situação da saúde de Napoleão, assim como os jornais do Rio de Janeiro passaram a se ocupar de sua situação, enfatizando o problema do câncer no país, onde cerca de 30 mil brasileiros eram portadores daquele mal.


Na sexta-feira, 16 de março, Napoleão seguiu para o Rio de Janeiro. Antes ele já havia ido aos Estados Unidos, onde permaneceu alguns meses tratando-se no Memorial Center Hospital de Nova York, onde os especialistas o haviam desenganado ante às precárias condições do combate ao câncer da época, dando-lhe semanas ou meses de vida.


Em Recife, onde se encontrava, após retornar dos Estados Unidos, foi sempre cercado dos cuidados da classe médica e da população, que vinham acompanhando seu estado de saúde, o qual era cada dia mais grave, uma vez que perdia forças a olhos vistos.


Foi aberta uma subscrição pública para custear sua viagem ao Rio. Mas as despesas previstas eram enormes. Daí Napoleão ter feito um apelo aos paraibanos, através dos "Diários Associados": “Ilustres Senhores, ninguém poderá duvidar das minhas intenções, pois condenado como estou pela medicina, nada pretendo para mim e nem para qualquer familiar, o que eu quero é o apoio de todos no engajamento de uma grande campanha. Profissionalmente me faltarão as forças necessárias para qualquer iniciativa. Assim, não peço para mim, mas para meus patrícios, para milhares de brasileiros que, pelo interior, são vítimas do mesmo mal que me acometeu. Sinto forças morais para pedir, porque conheço a sensação de ser presa dessa moléstia terrível, pedir ao povo e ao
Governo que me auxiliem a morrer tranqüilo, com o conforto de haver feito algo, ao menos pela Paraíba, neste setor que abracei como especialidade - de luta contra o câncer. Quero, portanto, ver fundado um centro de combate ao câncer, em João Pessoa, na Paraíba, ainda antes de morrer, se a sorte me permitir".



O idealista
Ele aproveitou sua breve existência para traçar um vasto plano de ação em benefício dos cancerosos brasileiros. Dirigiu-se, primeiramente, ao governador José Américo de Almeida, pedindo uma verba para adquirir um equipamento de radium destinado ao serviço de verificação de óbitos e de anatomia patológica para João Pessoa(PB) e para a preparação de um técnico competente para utilizá-lo. Essa verba solicitada seria de 150 mil cruzeiros.


Em sua mensagem, afirmou: “... não tenho intuitos sensacionalistas e não desejo me transformar em herói ou mártir da ciência, quero, isto sim, contribuir para aplacar as dores dos que, como eu, foram atacados da terrível moléstia. Não me preocupa a proximidade da minha morte”.


Certa ocasião, Mário Kroeff, entre outras considerações disse o seguinte: "Acho edificante ter um homem os dias contados e estar ainda pensando no próximo. Qualquer outro indivíduo, em melhores condições, já se encontraria no fundo de uma cama, ditando suas últimas disposições, entregue à fatalidade. O comum na vida é haver uma reação natural de revolta nas criaturas, em face da dor e do infortúnio. Este homem, já com suas forças físicas alquebradas, ainda sente forças morais capazes de levantarem sua própria matéria para conduzir uma campanha como esta, que serve de exemplo vivo a todos, exemplo tétrico que ora é focalizado, e para o qual devemos chamar a atenção do público, do governo e dos afortunados".


Asdrúbal de Oliveira, médico de renome e professor universitário laureado, certa vez, em entrevista declarou: “Posso dizer com certeza algo desse colega, Napoleão Laureano, em virtude de eu ter privado com ele, na época mais difícil em que a Paraíba se preparava para tratar do câncer. Ele era um idealista. Para a vida que levou, o resultado econômico não era problema para ele, jamais deixou de atender um paciente porque não dispunha de recursos. Seu consultório, que eu convivi e freqüentei, atendia 80% dos pacientes, gratuitamente. O seu lado humano, é preciso que se diga, era absolutamente perfeito de bondade, era um homem voltado para o sofrimento humano, sem levar em consideração seus problemas pessoais. O gesto mais nobre e engrandecedor de Napoleão Laureano, após saber que era canceroso, foi procurar o presidente Getúlio Vargas e pedir-lhe que construísse um hospital de câncer na Paraíba. Ele foi o único responsável ideológico pela construção desse Hospital que, por merecimento, tem o seu nome”.


Ele sempre se queixava que a demora em se auto-diagnosticar foi por conta da falta de aparelhagem na Paraíba para tal, razão por que seu primeiro pedido ao governador José Américo de Almeida foi para que adquirisse um equipamento de radium.


O câncer(osteossarcoma) que atingiu Napoleão Laureano estava localizado no seio maxilar e considerado fora de possibilidade terapêutica, em menos de um ano do aparecimento dos primeiros sintomas, dominara-lhe inteiramente o organismo.


O jornalista Yeddo Mendonça, da Agência Meridional, assim o descreveu em despacho telegráfico: “Magro, macilento, de pernas fracas, o corpo inclinado, anda com dificuldade, apesar da muleta e bengala em que se apóia. Quantos o vêem têm a impressão de que sua vida está por um fio, podendo extinguir-se a qualquer momento, isso, contudo, não o impede de atender a dezenas de pessoas que o procuram desde o momento de sua chegada aqui(em Recife). Para a imprensa tem sempre palavras de agradecimento e esperanças. Concluindo, manifestou a esperança de que os "Diários Associados" o auxiliem nessa campanha de benemerência pelo Brasil”.


Antes de viajar para o Rio, Napoleão esteve em João Pessoa, sendo recebido no aeroporto de Santa Rita por autoridades, jornalistas e milhares de pessoas de todas as camadas sociais. Em seguida, grande massa locomoveu-se até a sua residência, à Avenida Capitão José Pessoa, em Jaguaribe, acompanhando o automóvel que o transportava. Estação de rádio local transmitiu todo o drama de sua chegada à Paraíba, que vinha dos Estados Unidos, após passar alguns dias no Recife.



Iniciada a campanha pró-Hospital do Câncer
Suas primeiras revelações foram no sentido de lançar a idéia de construir um hospital para cancerosos em João Pessoa, com a contribuição voluntária de quantos quisessem ver concretizada uma obra que, além de marcar um grande passo na história da Paraíba, viria contribuir para a diminuição de óbitos produzidos pela terrível moléstia.


O movimento, mereceu o apoio do Governo, de autoridades estaduais e municipais e do povo em geral. A idéia lançada obteve apoio imediato, com a contribuição de diversas pessoas.


No dia 15 de março, ocorreu a posse da nova mesa diretora da Câmara Municipal. Laureano havia sido eleito presidente para o período 1951/52. Ele foi empossado, embora sem comparecer. A Mesa ficou assim constituída: Presidente: Napoleão Laureano; Vice-presidente: Miguel Bastos Lisboa; 1º Secretário: Henrique Bernardo Cordeiro; 2º Secretário: João Batista Cabral.


Os acadêmicos de Medicina foram os primeiros a se movimentarem em torno da campanha pró-construção do Hospital Napoleão Laureano, em João Pessoa, formando uma comissão constituída por vários universitários. Ela comunicou que havia sido instalada uma Comissão Central que dirigiria a propaganda, com a participação de membros da classe médica da Paraíba.


Representantes de diversas categorias empresariais também aderiram.



Viagem ao Rio de Janeiro, a luta continua
O Presidente Getúlio Vargas havia oferecido um avião da Força Aérea Brasileira para transportar o doutor Napoleão Laureano ao Rio, tendo Laureano agradecido a gentileza do Presidente, por ser mais cômoda a viagem pelo Constelation da Panair. Como a aeronave da Panair atrasou, Napoleão viajou pelo avião da FAB.


Sua situação havia piorado, pois a outra perna tinha sido atingida, criando-lhe dificuldade para andar.


O Presidente Getúlio Vargas colocou a disposição de Laureano um importante posto no Serviço Nacional do Câncer em reconhecimento do Governo e da Nação pelos seus esforços humanitários. Convidou também a esposa, dona Marcina, para o posto de enfermeira-chefe daquele S
erviço.


O "Diário Carioca" anunciou que no dia seguinte, na sede do jornal, haveria uma mesa redonda com a participação de Laureano, presentes Mario Kroeff, Alberto Coutinho, Jorge Marsillac, Orlando Machado e outros especialistas do câncer, tendo sido convidados também o Ministro da Educação, o Prefeito, o Diretor da Saúde, o Secretário da Saúde e Assistente da Prefeitura. O assunto principal era o problema do câncer no país, havendo uma verdadeira sabatina, transmitida por várias emissoras cariocas com perguntas e respostas.


Mario Kroeff, após examinar Laureano, recomendou seu tratamento no Serviço Nacional do Câncer, sob os cuidados dos médicos Orlando Machado e Antônio Vieira, tendo o paciente se internado no Hospital Graffee Guinle, no Flamengo. O tratamento a que foi submetido constou de irradiações para debelar as diferentes localizações que o câncer atingira. Sem qualquer esperança de cura, o objetivo era prolongar sua vida e amenizar os seus sofrimentos.




Movimento nacional de combate ao câncer
Na reunião promovida pelo "Diário Carioca" o ponto alto foi a criação da Fundação Nacional do Câncer. A Fundação Nacional do Câncer, para onde deveriam ser encaminhadas as doações do país, adotou como endereço a rua Erasmo Braga, 22, no Rio de Janeiro, para onde, do país inteiro, começaram a chegar doações de particulares e empresas.


A Câmara Municipal de João Pessoa, em sessão do dia 20 de março de 1951, aprovou o projeto do vereador Mário Antônio da Gama e Melo abrindo um crédito de cem mil cruzeiros para a aquisição de um terreno onde seria construído o Hospital Napoleão Laureano.


No Senado, Ruy Carneiro louvou o apoio do governo paraibano e da população em prol da campanha pela fundação de um Hospital do Câncer na Paraíba.


No Rio de Janeiro, apesar de sua fraqueza, Napoleão Laureano continuava sua campanha em favor dos cancerosos do país, querendo aproveitar suas pequenas melhoras para visitar São Paulo e Minas, onde deflagraria a campanha meritória em prol da criação de órgãos de combate ao câncer e assistência aos cancerosos. No dia 20 falou na Hora do Brasil. Seu entusiasmo não arrefecia, apesar das pioras.


No dia 28 de março, o deputado federal Janduhy Carneiro fez uma visita a Napoleão, em nome do governador José Américo de Almeida, informando-lhe que o Estado patrocinaria uma viagem a Europa para tratar-se, se isso fosse necessário.


O jornal "A União" transcreve, na 1ª página, o seguinte telegrama:

Rio, 28 - Estamos chegando ao fim da marcha - disse o médico Napoleão Laureano a sua esposa, num dos momentos de completa lucidez que teve, em meio às dores já incontroláveis que vem castigando o seu corpo. A tarde e a noite de hoje foram verdadeiramente dolorosas para o doutor Napoleão Laureano. A despeito do tratamento, caminha rapidamente para a morte o homem que levantou a maior cruzada na história pela redenção dos cancerosos do Brasil. Em seu favor nada pode fazer a medicina brasileira, a não ser testemunhar o cumprimento da sentença dos cirurgiões do Memorial Center Hospital, de Nova York. Em conseqüência dos esforços despendidos, desde que aqui chegou, o doutor Laureano não tem mais forças. Ontem passou a noite em claro, chamando a cada minuto pela esposa, que não o abandonava. Amanheceu melhor e voltou a ser o homem estóico. Declarou: O povo compreendeu o alcance do movimento que encabecei. Agradeço mais uma vez a colaboração de todos, em meu nome e de todos os cancerosos do Brasil”.



Intensifica-se a campanha na Paraíba
Enquanto isso, a campanha na Paraíba tomava vulto. O Sindicato dos Rodoviários cedeu sua sede, no Parque Solon de Lucena, para as reuniões do Comitê Central pró-construção do Hospital do Câncer Napoleão Laureano. O Comitê publicava, constantemente, a relação dos contribuintes para a campanha. O Esporte Clube Vasco da Gama foi o primeiro clube a contribuir. O Red Cross tomou a iniciativa de promover um torneio de clubes amadores com renda destinada à campanha. Cada entidade, cada repartição criava uma Comissão para arrecadar as contribuições voluntárias.


Novas tentativas para curar ou aliviar a situação de Napoleão Laureano foram encetadas. Eram tocantes os apelos de Napoleão para angariar donativos em favor da causa. Talvez por isso Napoleão fora eleito membro de honra do Instituto Brasileiro de História da Medicina, numa homenagem ao movimento por ele iniciado.


A campanha local continuava de vento em popa, com o apoio de várias entidades. O Distrito 123 do Rotary International, que englobava os Estados da Bahia ao Ceará, reunido em Salvador em sua Conferência Distrital, recomendou o apoio de todos os clubes da região; a Associação dos Servidores Públicos do Estado - ASPEP iniciou campanha entre seus associados; o Clube Internacional, de Cruz das Armas, promoveu festa para arrecadação de contribuições; o Diretório Acadêmico de Medicina do Recife iniciou campanha; no Ponto de Cem Réis foi criado um Posto de Arrecadação do Comitê Central. A Paraíba, que enfrentava problemas com a seca, não descurava da campanha que sentimentalizou a comunidade. As doações se sucediam, de empresas e de pessoas simples.


No dia 27 de março de 1951, o deputado Janduhy Carneiro apresentou na Câmara dos Deputados o projeto número 18, que autorizava o Poder Executivo a abrir ao Ministério da Saúde o crédito
especial de cem milhões de cruzeiros.


Essa iniciativa do operoso parlamentar paraibano resultou na conclusão do Instituto Nacional do Câncer, na Praça da Cruz Vermelha, no Rio de Janeiro, devidamente equipado.


A situação de Napoleão Laureano se agravava. Foi necessário fazer o engessamento dos membros inferiores e da bacia. Mas Napoleão teimava em vir para a Paraíba para apoiar a campanha pela fundação do Hospital.



Desentendimentos
O "Diário da Noite", do Rio de Janeiro, afirmou que “o caso do doutor Napoleão Laureano está assumindo aspecto de um caso político, com repercussão nos Estados e mesmo no Exterior".


O repórter da Agência Meridional, Yeddo Mendonça, acompanha de perto as inconveniências citadas pelos jornais, tendo Napoleão o autorizado a revelar os acontecimentos, “podendo revelar tudo o que sabe sobre o assunto”.


Tudo isso por conta de uma declaração distribuída pela Fundação Nacional do Câncer, em 27 de abril. A cunhada de Napoleão, dona Márcia, informou que Napoleão assinara uma declaração para ser publicada pela Fundação, mas esta foi alterada sem seu consentimento, o que não agradou a Napoleão, que se considerou enganado e traído pelo presidente da Fundação, Mário Kroeff. Ao tomar conhecimento do teor da nota publicada, Napoleão experimentou violenta crise e chorou, gritando em plenos pulmões que desejava voltar à Paraíba.


O repórter comenta: “Seu estado é grave. Este é um caso de abuso de boa fé de um homem que está doente, sem forças, condenado à morte”. E continua: “Devemos dizer que sobre a questão não ouvimos o próprio Napoleão Laureano em sinal de respeito pela sua saúde, agravada consideravelmente. Todavia, ele nos autorizou, por intermédio de sua cunhada Márcia, a escrever estas palavras. Por outro lado, o documento que temos nos levam a afirmar que a política do câncer está matando o Napoleão”.


Napoleão teve um colapso e está sob a ação de injeções, informou o repórter. Diante do agravamento da situação, o senador Ruy Carneiro fez uma visita a Napoleão Laureano, oportunidade em que lhe dá conta da ação da Fundação Nacional do Câncer, da qual é o tesoureiro. "A União" publicou foto da visita, onde o senador Ruy Carneiro aparece em conversa com Laureano e sua esposa Marcina.



A procura do terreno para construir o Hospital
Enquanto isso, por solicitação do jornalista Pompeu de Souza ao governador José Américo, foi iniciada a procura pelo terreno onde seria construído o Hospital da Paraíba, cabendo ao Newton Lacerda localizá-lo. As contribuições continuavam chegando. Eram entregues aos membros do Comitê durante suas constantes visitas a repartições municipais, estaduais e federais. Todos colaboravam como podiam.


No dia 30 de maio viajaram para João Pessoa Jorge Marsillac e Jorge Ferreira, designados pelo Ministro da Educação para escolherem o terreno onde deveria ser edificado o Hospital Doutor Napoleão Laureano.



O desenlace final
Às 20h20m do dia 31 de maio, Napoleão Laureano desencarnou no Hospital Graffee Guinle, no Rio de Janeiro. Diz o sucinto noticiário telegráfico enviado para o jornal "A União":

RIO, 31 (Urgente) (Meridional) – Faleceu às 20 horas e 20 minutos de hoje, o doutor Napoleão Laureano, após receber os últimos sacramentos ministrados pelo padre Luiz Siqueira Campos, vigário de Barra Funda, do Estado de São Paulo.


O senador Ruy Carneiro, que assistiu aos últimos momentos de Napoleão, dirigiu o seguinte telegrama ao governador José Américo de Almeida:

RIO, 31 – Com pesar, comunico ao eminente amigo que acabo de assistir aos últimos momentos do doutor Napoleão Laureano, no Hospital Graffee Guinle. O corpo está sendo embalsamado, devendo ser transportado a essa Capital amanhã, sábado, por avião da FAB. Abraços. Ruy Carneiro.


No dia 1º, o governador José Américo de Almeida recebeu o seguinte telegrama do ministro Simões Filho, da Educação:

Cumpro o doloroso dever de comunicar a V. Excia. que o Governo da República, associado-se à comoção que suscitaram no País os sofrimentos estóicos e morte do doutor Napoleão Laureano, deliberou fazer os seus funerais e trasladação dos seus despojos para o seu Estado natal. Apresento ao Povo paraibano, por intermédio de V. Excia., as condolências do Governo, das quais participo, com viva emoção. Simões Filho, Ministro da Educação.


O Governo do Estado decretou luto por três dias. A cidade parou. O Clube Astréia cancelou sua tradicional festa de aniversário.


Terminara o martírio do indomável Napoleão e o sofrimento transferiu-se para a população que acompanhava, há três meses, o lancinante episódio de uma saga martirológica no combate à insidiosa moléstia.


A Paraíba, como o Brasil inteiro, assistiu ansiosa ao desenrolar daquele drama de heroísmo e resignação, de devotamento à causa da ciência e ao bem do próximo, que foram os derradeiros dias do médico canceroso, que conseguiu levantar todos os brasileiros numa cruzada inédita, contra o mal que o vitimou.



A Paraíba enlutada
O corpo de Napoleão Laureano foi embalsamado e ficou em câmara ardente exposto na Igreja da Candelária, onde foi visitado por milhares de pessoas.


No dia seguinte, o corpo foi trazido para João Pessoa, em avião da FAB, pousando no Aeroporto de Santa Rita, onde estiveram presentes o governador José Américo de Almeida, Secretários, representantes do Legislativo e do Judiciário, autoridades militares: Comandante da Guarnição Federal e Capitão dos Portos, autoridades eclesiásticas e povo. Não obstante as chuvas caídas na tarde do sábado, o número de pessoas no aeroporto era bastante grande.


O esquife foi retirado pelo Governador, pelo presidente executivo da Fundação Laureano, prefeito da Capital, presidente da Assembléia Legislativa, presidente do Tribunal de Justiça, presidente da Câmara Municipal e familiares. Colocado no carro funerário, o cortejo seguiu para João Pessoa e ao chegar no centro urbano parou diante da Câmara Municipal, órgão da qual Laureano fizera parte como vereador e seu presidente recém-eleito. Na ocasião, falou de improviso o vereador Ranulpho de Oliveira Lima, ressaltando as qualidades morais de Napoleão Laureano e a sua atuação naquele Conselho Municipal.


A seguir, o corpo foi levado para a Catedral Metropolitana, onde ficou em câmara ardente até às 15h30m do dia seguinte. O comércio fechou suas portas, em atendimento ao apelo feito pela Câmara Municipal.


Durante dia e noite, o corpo foi guardado por representantes da Câmara Municipal, do Governo do Estado, da Assembléia Legislativa, do Poder Judiciário, da Fundação Napoleão Laureano, da Sociedade de Medicina, de autoridades militares, do comércio e da indústria, dos estudantes e universitários, do Sindicato dos Rodoviários e da Associação dos Servidores Públicos, que se revezavam de hora em hora.


As exéquias de Napoleão Laureano foram oficiadas pelo Arcebispo Metropolitano, Dom Moisés Coelho. Milhares de pessoas acompanharam o féretro até o Cemitério da “Boa Sentença”, sendo um dos mais concorridos enterros já vistos em João Pessoa, enchendo cerca de três quilômetros das ruas limítrofes do Campo Santo.


Durante o sepultamento, falaram Luiz Rodrigues de Souza, Secretário da Educação e Saúde, em nome do Governo do Estado; deputado Ivan Bichara Sobreira, pela Assembléia Legislativa; Higino da Costa Brito, pela Sociedade de Medicina; Newton Lacerda, pela Faculdade de Medicina da Paraíba; e o escritor Juarez Batista, diretor de "A União", pela Fundação Napoleão Laureano. Falaram ainda o vereador Damásio Franca e Hélio Fonseca.


Na Câmara Federal, o deputado Janduhy Carneiro fez o necrológio do médico Napoleão Laureano, enaltecendo as suas virtudes morais e espirituais, para dizer que Napoleão Laureano desapareceu inscrevendo o seu nome ante a empolgante página da história da medicina nacional e contemporânea.


Após longos comentários a respeito do heróico gesto de abnegação e estoicismo do ilustre morto, cujo exercício profissional em João Pessoa foi um verdadeiro apostolado, pela desambição e espírito de reverência, o orador agradeceu em nome do Governo e do povo paraibano a comovedora assistência moral e material que lhe deram o Presidente da República, Ministro da Educação, diretor do Serviço Nacional do Câncer e seus assistentes médicos, toda a imprensa carioca e a vigilância carinhosa e o interesse tomado pelo povo brasileiro e do Rio de Janeiro, durante o verdadeiro ingente sofrimento de Napoleão Laureano.


A Câmara dos Deputados, no dia 10 de junho, aprovou projeto considerando a Fundação Nacional do Câncer como sendo de Utilidade Pública. O padre Francisco Lima, sócio do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, fez mais um artigo sobre Napoleão Laureano.


Como era de se esperar, após tantos sofrimentos no acompanhamento da doença de Laureano, sua esposa, Marcina, passou alguns dias no Recife, recuperando-se das canseiras de sua luta. Seu estado de saúde era delicado, chegando-se a aventarem a hipótese de que ela também estivesse com câncer. A família negou essa hipótese. Apenas informou que ele sofrera uma intervenção cirúrgica e estava em convalescença.


O desembargador Severino Montenegro e o professor José Baptista de Melo, presidente e secretário da Fundação do Hospital Laureano, visitaram Marcina Laureano em sua residência à rua Capitão José Pessoa, tão logo ela retornou do Recife.



A campanha continua
Passada essa fase aguda post-mortem, foi reiniciada a campanha para angariar donativos. A Câmara Municipal de João Pessoa encarregou-se de homenagear Napoleão Laureano por ocasião do trigésimo dia do seu falecimento, programando uma missa na Catedral Metropolitana, às 7 horas, e uma homenagem especial às 20 horas na Câmara de Vereadores, com aposição do retrato do seu ilustre presidente.


O Rotary Club de João Pessoa, sob a presidência do advogado Severino Alves Ayres, também prestou homenagem especial no trigésimo dia da morte de Napoleão Laureano, tendo falado o desembargador Severino Montenegro, presidente do Comitê Central da Campanha pela fundação do Hospital do Câncer da Paraíba.


Localizado o terreno para o Hospital Laureano
Entrevistado pela "A União", Mário Kroeff deu as seguintes declarações:

Pretende-se construir um hospital suficientemente aparelhado para o diagnóstico e tratamento do câncer. Isso de acordo com o desejo expresso de Napoleão Laureano, que sacrificou os últimos dias de sua existência atendendo ao objetivo de dar aos seus concidadãos os meios necessários ao tratamento do câncer, para que seus patrícios não se encontrem nas mesmas condições em que ele se viu com a falta dos meios de confirmar consigo mesmo, a suspeita de estar sendo minado pela doença atroz e sem microscópio para confirmar ou afastar essa suspeita. Pode-se dizer que ele perdeu a oportunidade de cura pela falta de meios necessários ao diagnóstico".


A respeito da construção do hospital para cancerosos em João Pessoa, assim se expressou Kroeff: “O hospital que se projeta levantar em João Pessoa, com a capacidade para cinqüenta leitos entre indigentes e contribuintes, é orçado em seis milhões de cruzeiros. Será equipado dos elementos mais modernos do que existe no tratamento correto do câncer. Pretende-se organizá-lo no sentido de ser um elemento representativo da moderno cancerologia, plantada no nordeste brasileiro. Além de grande alcance médico-social que representará a instituição, será também um monumento memorável ao altruísmo do médico brasileiro que morreu em favor dos que sofrem”.


Perguntado ao ilustre visitante sobre o apoio à campanha pelo Governo do Estado, Mário Kroeff adiantou: “Encontramos da parte de José Américo a melhor boa vontade no sentido de dar toda a cooperação do Estado à obra que nasceu do sacrifício extremo de um filho da Paraíba – Napoleão Laureano. Suas palavras após a nossa chegada foram bem expressivas: Darei o terreno que os senhores escolherem. Não importa o sacrifício que isso representa, porque a obra que se pretende realizar é de grande significação médico-social”.


De fato - prosseguiu o entrevistado -, o terreno escolhido ficou logo prometido, dentro de todas as exigências, sem calcular-se a extensão do mesmo, nem o valor que representasse a área destinada. Foi mais longe o Governador. Resolveu até tomar toda a providência no sentido de abrir-se nova rua para acesso duplo ao Hospital, de acordo com as facilidades técnicas que isso representa num plano arquitetônico. Ali mesmo nasceu até o nome da nova rua, que se chamará Napoleão Laureano, mais uma homenagem bem merecida ao homem tão cheio de abnegação e estoicismo”.


Nessa entrevista concedida "A União", fruto do faro jornalista do seu diretor, escritor Juarez Batista, ficou sintetizada a parte objetiva da campanha em prol do Hospital do Câncer da Paraíba, assim como se fixou um relato sobre a importância da atitude corajosa do nosso conterrâneo ao iniciar o movimento em favor dos cancerosos.


Disse mais Kroeff: “Já estamos com o plano do hospital pretendido elaborado por três arquitetos, que a isso se ofereceram gratuitamente, como homenagem prestada à memória do médico mártir, engenheiros Francisco Vitor Palma, Alexandre Costa Neto e Gilberto Leslie, que foram também os arquitetos que elaboraram os planos do Hospital da Sociedade Brasileira de Assistência aos Cancerosos. Pretendemos dar início à construção logo sejam terminados esses estudos preliminares e sobretudo as especificações que devem servir de base à concorrência pública que se pretende abrir imediatamente, tanto em João Pessoa, como no Recife e Rio de Janeiro”.


Prosseguindo, adiantou Kroeff, sobre a Fundação Napoleão Laureano: “A fundação nasceu do apelo feito por Laureano à contribuição pública no sentido de serem concretizados seus ideais de filantropia. O reflexo foi de grande profundidade, tendo havido contribuições de todos os recantos do país, desde os grandes aos menores, que trouxeram seus auxílios, às vezes representados por cinco e dez cruzeiros. O total já atingiu seis milhões de cruzeiros, quantia depositada no Banco Hipotecário Lar Brasileiro, fora outras quantias arrecadadas e ainda não entregues à nossa tesouraria, e que se acham, por exemplo, em Santos, cujo vulto atingiu a 300 mil cruzeiros; Correios e Telégrafos, que vai a 100 mil cruzeiros; L. B. A. recebeu diretamente 80 mil cruzeiros; a Rádio Nacional, que ainda tem mais de 300 mil cruzeiros; e finalmente João Pessoa, que, segundo me informou o desembargador Montenegro, as contribuições já ascendem a 300 mil cruzeiros. Essa contribuição da Paraíba de fato representa uma grande demonstração de solidariedade do povo paraibano ao apelo do seu coestadano. Se atendermos as condições financeira de um pequeno Estado em confronto com outros mais ricos e populosos do sul do país, a Paraíba soube honrar o sacrifício do grande mártir Laureano”.


O entusiasmo do Mário Kroeff, diretor do Serviço Nacional do Câncer, era contagiante no relacionamento com as autoridades estaduais, tornando confiável que a obra seria realmente realizada.


Três dias após a entrevista, Mário Kroeff publicou na "A União" um longo artigo sobre a campanha e as providências, manifestando sua confiança que “a luta será vitoriosa em benefício de toda a humanidade”.


No dia 10 de julho, a Câmara Municipal aprovou um projeto concedendo uma pensão de mil cruzeiros a Marcina Sampaio Laureano e sua filha Maria do Socorro.


Dona Marcina, que ainda estava traumatizada com os últimos acontecimentos, viu-se novamente golpeada. No dia 12, ocorreu o desastre do avião DC-3, prefixo PPLPG, das Linhas Áreas Paulistas, que caiu no Rio do Sal, a 3 km. de Aracaju, falecendo toda a tripulação e passageiros. Entre estes estavam sua mãe, Maria Sampaio de Melo, o irmão Marcílio e a irmã Tereza Maria. Também faleceu naquele desastre o governador do Rio Grande do Norte, Dix-Sept Rosado, e outras autoridades daquele Estado.



O tempo passa
Parecia que o ingente esforço e sofrimento de Napoleão Laureano fora em vão. Escolhido o local para a edificação do Hospital em sua homenagem, dado nome à rua em que ele deveria ser erigido, o dinheiro foi curto para a sua construção. Ou foi curta a memória das autoridades. Os apelos do nosso grande mártir já não repercutiam.


O Hospital Laureano não saía do chão. Aqui e acolá alguém alfinetava; o descrédito ia tomando parte da comunidade que tinha ainda vivo aqueles momentos de sofrimento comovente que alcançara as classes menos favorecidas.


As obras se arrastavam. Sempre atento, o deputado Janduhy Carneiro injetava dotações no Orçamento da República e graças a essas verbas foi possível realizar o sonho de Napoleão Laureano.



A grande obra do mártir
Onze anos depois do falecimento do grande mártir, em 24 de fevereiro de 1962, foi inaugurado o Hospital do Câncer Napoleão Laureano.


Estiveram presentes o governador Pedro Gondim, o ministro Estácio Souto Maior, da Saúde, o deputado federal Janduhy Carneiro, presidente da Fundação Laureano, o médico Antônio Carneiro Arnaud, primeiro diretor do Hospital, entre outras autoridades.


O Hospital Laureano, hoje dirigido pelo João Simões, é um estabelecimento muito bem aparelhado e tem prestado relevante serviço nessa área, comparando-se aos melhores do país, sendo o melhor do Nordeste.



O sonho de Napoleão Laureano, afinal, realizou-se
Desde, então, a equipe da fundação vem engajada nessa luta, sempre buscando o melhor para o Hospital Napoleão Laureano, que é centro de referência no Nordeste no combate ao câncer. No momento, a instituição adquiriu um importante equipamento, o acelerador linear, que é um aparelho de alta capacidade. Carneiro Arnaud disse que o Governo do Estado, sensibilizado com o trabalho desenvolvido no hospital, colaborou para a construção da sede, onde o novo equipamento será instalado, que é denominada de "Casa Mata", cuja construção está estimada em 1.360.000.00(Hum milhão trezentos e sessenta mil reais).



O professor Asdrúbal Oliveira, em certa ocasião se pronunciou, dando um abalizado depoimento, quando declarou: "O atendimento ao paciente de câncer na Paraíba tem duas fases bem distintas, uma antes e outra depois da inauguração do Hospital Napoleão Laureano. Na primeira, o canceroso ficava debaixo das mangueiras na Praça Caldas Brandão, em frente ao Hospital Santa Isabel e na segunda, o canceroso passou a ser recebido, examinado e tratado com zelo e carinho no Hospital que Napoleão Laureano tanto desejou edificar.


Podemos dizer que a entidade, apesar das grandes dificuldades vivenciadas nos longos anos de sua existência, é vitoriosa por tudo que já conseguiu realizar. O Hospital Napoleão Laureano além de sua nobre e árdua missão de tratar os pacientes com câncer, vem sendo um excelente centro de ensinamento aos médicos e aos profissionais da área da saúde. Ele tem colaborado, inclusive, com a Universidade Federal da Paraíba
".



Benefícios para a população paraibana
Graças ao trabalho da fundação é que a luta contra o câncer na Paraíba está crescendo. Em conseqüência da instalação do Hospital Napoleão Laureano, criou-se na Paraíba a Rede Feminina de Combate ao Câncer, que é uma entidade que arrecada dinheiro para fazer um trabalho junto aos portadores do câncer, fazendo um trabalho que atua junto ao emocional. Essa entidade realiza festas e oferece lanche aos pacientes advindos do interior do estado para realização de exames na Capital. Essa Rede Feminina de Combate ao Câncer também mantém a Casa de Apoio ao Portador de Câncer. Além dessa casa de apoio, os portadores do câncer contam com "A Casa da Criança", que também oferece condições para que as crianças portadoras do câncer e seus familiares se desloquem do interior do estado para a Capital para realização dos seus exames no Hospital Napoleão Laureano.



Dias atuais
Os recursos para manutenção do Hospital Napoleão Laureano são provenientes 86% do SUS - Sistema Único de Saúde, que paga muito mal os seus serviços. Além disso, nós atendemos a um determinado número de pacientes e o SUS só nos repassa a metade desse valor, cobrindo apenas a metade das consultas realizadas em um dia. Além das consultas o hospital também oferece os serviços de quimioterapia e radioterapia, realiza as cirurgias, entre outros serviços necessários ao tratamento do portador do câncer. No momento nós estamos construindo apartamentos para internação de doentes provenientes de planos de saúde particular com o objetivo de levantar mais verbas para a manutenção do hospital.



Receita
Por incrível que pareça quando chega ao final do ano o Hospital Napoleão Laureano tem um superávit, que é uma receita superior à despesa decorrente de um aumento da arrecadação ou um decréscimo dos gastos. Então, as pessoas perguntam: "Como pode ocorrer isso? Isso ocorre porque o Hospital Napoleão Laureano é uma instituição filantrópica, registrado no Conselho Nacional de Serviço Social e, por isso, é dispensado de diversas taxas que são obrigatórias a qualquer instituição, deste que não seja filantrópica.



Hospital referência
O Hospital Napoleão Laureano é referência no tratamento do Câncer, não somente na Paraíba, bem como em todo o Nordeste. Muito embora nós tenhamos equipamentos adequados, nós ainda enfrentamos dificuldades, porque, são equipamentos de valor elevado que também tem um alto custo de manutenção. No momento, nós estamos adquirindo um dos mais modernos equipamentos destinado ao tratamento do câncer que é o acelerador linear.



Novos equipamentos
O acelerador linear é um aparelho de alta capacidade e está custando um milhão de dólares. Esse aparelho trata vários tipos de tumores que não são necessários a sua retirada através do procedimento cirúrgico e são tratados através da radioterapia. Esse aparelho faz a radioterapia tridimensional conformacional, ou seja, o aparelho atua especificamente a área afetada sem que as demais regiões sadias sejam atingidas. O acelerador linear protege e dá um resultado espetacular ao paciente em tratamento.



Parceria
O Governo do Estado, preocupado com a luta de combate ao câncer na Paraíba, firmou convênio entre o Fundo de Erradicação da Pobreza no Estado da Paraíba - Funcep - e a Superintendência de Planejamento para construção das instalações destinadas ao novo acelerador linear, que foi adquirido pelo Hospital Napoleão Laureano. A construção do local onde o equipamento será instalado é chamada de "Casa Mata", e a obra está estimada em R$ 1.360.000.00(hum milhão trezentos e sessenta mil reais).



Acelerador linear

O projeto para instalação do acelerador linear foi examinado e aprovado pela Vigilância Sanitária, seguindo para o Conselho Nacional de Energia Nuclear que fica em Brasília. Nesse conselho, o aparelho foi examinado para saber se ele estaria passando radiação, entre outras exigências para utilização do equipamento.



Aumento da capacidade de atendimento
A capacidade de atendimento aumentou, porque o aparelho que nós possuímos atualmente vai continuar trabalhando, atendendo os casos que podem ser feitos com bom resultado e aqueles casos mais especializados, cujos pacientes estão tendo que se deslocarem de João Pessoa para centros do tratamento do câncer em outros estados não precisarão se deslocarem porque o acelerador linear está fazendo esse serviço. Em função disso, a capacidade de atendimento do hospital aumentou.



Vídeo trabalho voluntário





Serviço
Hospital Napoleão Laureano
Avenida Capitão José Pessoa, nº 1.140 - bairro de Jaguaribe  - João Pessoa(PB) CEP 58.015-170 - Telefone (83) 3015-6200.




* Redação com I2 e Jornal dos Espíritos.com.



       



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Comentário(s)

Gostaria de esternar aos funcionários do HNL p falecimento da ex-funcionária e amiga Damiana de Sousa neste fia 07de abril os meus sinceros pesâmes de sua ex-acompanhante Salete Torres Casimiro ai neste nosocômio durante um mês abraços a Dra. Dalva Guedes, Dra Moemia e Dra Joselene, e Dra Josefina e aos Enfermeiros e Funcionários.

 M. Salete Casimiro | mstcasimiro@hotmail com,br | Sousa/PB
10.04.2012   -  08:57


Eu tb estou mim tratado nesse hospital e este hospital e de qualidade graças esses deputados principalmente Romulo Goveia que mim ajudou a fazer minha cirugia.

 Edilane | edilane101@hotmail.com | Sousa/PB
30.01.2012   -  13:38




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