O Bê-a-bá do Sertão - Paraíba - Desmorona torre da Igreja Matriz de Sousa
Cidades 30.04.2007 - Sousa(PB)

Desmorona torre da Igreja Matriz de Sousa

     
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Desmorona torre da Igreja Matriz de Sousa

Da redação do Bê-á-bá do Sertão

Sousa(PB) - A centenária torre direita da Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, da cidade de Sousa(PB), que foi erguida a partir do ano de 1814, com traços de arquitetura barroca, por iniciativa do então vigário Luiz José Correia de Sá, desmoronou por volta da 01h10s do domingo(29abr2007), causando grande estrago na edificação.


A torre direita que abrigava o relógio e o sino da Igreja Matriz sousense, foi ao chão durante uma chuva, soterrando a pia batismal e destruindo o terraço interior, e uma importante parte do painel central do forro, pintado no século passado pelo artista pernambucano Luís Correia, em estilo clássico, com colorido exuberante, estando o painel central maior, pintado por um casal húngaro em vias de desabamento.


Logo ao tomar conhecimento, policiais militares compareceram ao local efetuando o isolamento da área lateral do templo religioso, que segundo estimativas pode ainda sofrer desmoronamento em outros pontos próximos ao sinistro. Populares aglomeravam-se durante todo o dia, consternados com o desabamento que destruiu a torre direita da majestosa Igreja Matriz Nossa Senhora dos Remédios, considerada na cidade como Patrimônio Histórico do município.


O fato chocou os poucos transeuntes que nesse horário testemunharam o acontecido. O Padre Milton Alexandre(Foto), administrador paroquial da Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, foi chamado ao local e surpreso revelou que não havia justificativa para o fato posto que nos últimos dias nada havia de suspeito - tanto na parte interna e externa - que pudesse justificar o desabamento, levando-se a se supor que devido as chuvas que banham a cidade nos últimos dias, possa ter havido uma infiltração. Poucas horas antes o Pe. Milton Alexandre havia celebrado uma missa. No momento do desmoronamento ninguém estava no local.


Um detalhe chamou a atenção de populares que chegaram logo nos primeiros momentos do sinistro: três vacas que passavam pelo local, sem a mínima explicação, pararam na lateral dos escombros do desabamento, ficando uma delas urrando continuamente, como que num gesto de tristeza pelo que acabara de acontecer.


Sobre o fato o Professor Francisco Cicupira de Andrade Filho(Foto), Diretor da Escola Agrotécnica Federal de Sousa definiu: "Estamos muito tristes. Praticamente toda a estrutura e dependências da Igreja Matriz foi abalada com o desmoronamento. Neste momento o Padre Milton Alexandre precisa do apoio de toda a sociedade católica de Sousa e região" referiu-se traduzindo a importância do templo religioso que há quase dois séculos fez parte da história das famílias católicas da cidade de Sousa e região.

Levantamentos extra-oficiais avaliado por um profissional experiente em construção e edificação de obras, acerca da cifra do prejuízo causado pelo desmoronamento, avaliou um gasto para reconstrução e restauração do acervo artístico sacro num valor superior a R$ 1 milhão de reais.



193 ANOS - Patrimônio Histórico religioso

Fé cristã, esforço, determinação e abnegação foram alguns dos elementos que contribuíram - desde o ano ido de 1814 - para que cristãos devotos e religiosos conseguissem erguer a atual edificação da majestosa Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédio.


Sobre a obra de edificação, muito bem escreveu o que consideramos como a maior escritora da atualizada, que reside na cidade, à professora Julieta Pordeus Gadelha, num dos capítulo de sua mais clássica obra literária: “Antes que ninguém conte”, impressa no ano de 1986, pela A UNIÃO – Superintendência de Imprensa e Editora:


Um dos templos católicos mais belos da Paraíba, a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios é também um dos maiores. A sua construção, iniciada em 1814, foi realizada pelo então vigário Luís José Correia de Sá. Paralisados os trabalhos durante 25 anos, a igreja levou mais de oitenta anos para ficar pronta.


Em sua visita pastoral, no ano de 1839, o Bispo de Olinda-PE, referindo-se a essa construção, elogiou a obra quando registrou em seu diário: "
Esta obra construída de pedra e cal, com a maior segurança, sendo as paredes mais largas que uma braça"..E o vigário José Antônio Marques da Silva Guimarães fez constar em seu relatório,em 1881,que: "...mede 236 palmos de nascente a poente e 110 de sul a norte, a qual por esforços e zelo dos Parochos, Missionários, e fiéis está toda coberta com excepção das duas torres, e a não ser o flagello e estrago da ultima sêcca estaria entregue ao Culto Divino
".


No reinício da construção, muitos vigários passaram por ela, cada um dando o seu esforço e sacrifício para o término da grandiosa obra, reconhecida como majestosa. Na administração do vigário José Antônio(1842/1885), ele solicitou a ajuda física da população a qual não se negou ao trabalho de carregar tijolos, pedras, areia, barro... contando, inclusive, com o auxílio de mulheres e crianças.


Entre os vigários e padres coadjutores – os mais atuais – que muito trabalharam em favor da construção da matriz, destaca-se a atuação de Pe. Zacarias Rolim de Moura, atual Bispo da Diocese, nos anos 1939/1942. Esse padre, relembram Otaviano Fontes, Pedro da Costa Gadelha e Eliseu Lopes Casimiro, “
foi um exemplo de tenacidade, força e confiança
”. Ele queria ver a igreja pronta! O jovem padre Zacarias era um teimoso que não aborrecia ninguém, ele pedia tanto que conseguiu erguer as duas torres. Imaginava de tudo para angariar dinheiro, desde as quermesses, rifas, concursos e filmes que ele mesmo rodava num pequeno projetor.


Na lista dos vigários operosos está o Cônego Oriel Fernandes. Ele contratou um pintor pernambucano - Luís Correa – para realizar a pintura da igreja, mas este só conseguiu pintar dois painéis – o central e um outro vizinho á capela-mor que, apesar da sua beleza, foi inexplicavelmente condenado e apagado. Intitulava-se "
A visão de Ezequiel
", de difícil interpretação. A morosidade de Luís Correa foi irritando o padre Oriel Fernandes que chegou a dispensá-lo, não levando em conta que a arte não conta tempo, mas a perfeição. O painel central do forro, pintado por Luís Correa, em estilo clássico choca-se com o restante da pintura que foi realizada por um casal de pintores profissionais, húngaros, os quais terminaram o trabalho na pressa exigida. Muito bonita a pintura, colorido exuberante, valendo ressaltar uma curiosidade: todos os rostos – anjos, santos e outros personagens têm as feições da esposa do pintor húngaro.


O muito de antigo que embelezava e valorizava o templo, com relação á arte foi demolido: os altares laterais, o sepulcro, a pintura do altar-mor que, segundo os mais velhos foi realizada por um pintor francês, as antigas imagens que foram “
encarnadas
”, os anjos que sustentam os candelabros laterais... foi tudo uma pena, além do mais uma atitude incompreensível, embora continue bonita a Igreja dos Remédios.


Outro vigário trabalhador é o atual, padre João Cartaxo Rolim, que já realizou muito. Terminou a pintura, o piso de granito, as calçadas lateral, o patamar, a colocação das estátuas do famoso padre Luís José Correa de Sá – que começou a construção da matriz e do Côn. Bernardino Vieira, modelo de virtude, que morreu celebrando missa, na capela da Casa da Caridade. Após consagrar a hóstia, caiu atingido por um ataque de coração. O sacristão era Virgílio Pinto de Aragão – Professor Senhorzinho – que protegeu a hóstia com a campainha, colocando-a sobre a mesma, até que chegasse o padre Sá, de Antenor Navarro, para tomar as providências. O serviço de som é outro dos empreendimentos do padre João Cartaxo Rolim; a recuperação de portas e janelas, os vitrais, o relógio, a bancada e muitos outros.


A Matriz de Nossa Senhora dos Remédios está aí, bela e concluída, imponente nos seus 171 anos de trabalho pela doutrina de Jesus Cristo
...
”.


AS IMAGENS

Galeria 1: Confira as imagens externas e internas do desmoronamento da torre direita da secular Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios.


Galeria 2: Confira imagens da Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios antes do sinistro.

Galeria 01   Galeria 02   Galeria 03                 

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