O Bê-a-bá do Sertão - Paraíba - AINDA A UFPB
Milton Marques Milton Marques Júnior é Professor da Universidade Federal da Paraíba.


15.04.2012 - João Pessoa

AINDA A UFPB

     
Compartilhe


Volto a falar da UFPB. O dia de sábado é ou não é dia letivo? É, sim. Basta contar os dias letivos do calendário escolar para se constatar que o sábado é um dia letivo, tanto quanto, digamos, a segunda-feira. Simples, não? Não. Muito complicado. Não sei nos outros centros, mas no CCHLA, o sábado tem tido muito movimento. Existem funcionando quatro turmas de extensão em Línguas Clássicas - duas turmas de Língua Latina(I e II) e duas turmas de Língua Grega(I e II) -, o que dá uma média de 150 estudantes. Além disso, também vejo movimento de muitas mães com crianças, em um programa de extensão, acredito, do Departamento de Música. Outros professores dão aulas de outras disciplinas e, ao que parece, começou a funcionar o mestrado profissional em Linguística. Pelos meus cálculos, quase trezentas pessoas circulando no CCHLA, durante o sábado, em programas acadêmicos diversos. É algo notável, levando-se em conta que pouco movimento havia no CCHLA, num dia como esse.


O que é notável, porém, sendo o sábado um dia letivo institucional, é que não haja funcionários suficientes para atender à demanda dos trabalhos ali realizados. Hoje, dia 14 de abril, vi apenas um funcionário do CCHLA, sem contar dois membros da limpeza que, invariavelmente, encontram-se no centro, aos quais, inclusive, recomendo que se dê uma medalha de bons serviços, além dos parcos salários pagos pela empresa responsável. Se o sábado é um dia letivo - insisto que no calendário oficial é -, deveria, então haver funcionários suficientes que abrissem as salas, que ligassem as luzes e os aparelhos de ar condicionado, que dessem o apoio necessário para que as atividades que ali se realizam, durante o sábado, pudessem acontecer normalmente. Mas não tem. Dei aula hoje sem o funcionamento dos aparelhos de ar condicionado do novo Bloco C. Havia energia em outros setores do CCHLA, mas no Bloco C não havia e eu não tinha a quem recorrer, para que me dissesse o que estava havendo e se havia alguma medida a tomar. Nada. A turma e eu enfrentamos 03 horas de aula(09 às 12h), no calor, embora a sala esteja localizada no segundo andar, nela haja três janelões, que foram devidamente abertos, e sua posição seja nascente-sul. Mas o ar não circulava.


O que devemos fazer? Que medidas tomar? Como fazer a universidade sair do papel e o calendário ser uma realidade? Como podemos pensar em uma universidade desenvolvida se as coisas mínimas estão por fazer? Como podemos almejar os grandes empreendimentos se dos mais prosaicos e corriqueiros não conseguimos dar conta(recomendo a leitura do Górgias, de Platão)?.


Haverá quem pense que estou apenas voltado para as miudezas, quando deveria estar voltado para o universo, para a grandeza. Ser pequeno e fitar os Andes como objetivo é bonito na pena de Castro Alves. Mas nem poeta eu sou e ando atolado nas coisas pequenas que tomam o meu tempo mais do que o necessário. Exemplo: se não fossem os alunos do curso de Clássicas e alguns professores que apareceram para varrer a sala, limpar os vidros, tirar o lixo, não teríamos ainda ocupado o Laboratório de Línguas Clássicas. Eu mesmo fui com minha furadeira e preguei todos os quadros e mapas de que precisamos para as nossas aulas. Tenho que andar atrás de alguém que faça a limpeza da sala uma vez por semana, pelo menos... Isto não só cansa, rouba tempo, sobretudo.


De outras vezes, falei sobre a universidade em dois artigos e chamei os candidatos a reitor a se pronunciarem. Silêncio total. Acredito que estão muito preocupados com os grandes empreendimentos. A julgar pelas propostas, no entanto, eu não vejo concretude. Não lembro, por exemplo, de alguém se referindo à Biblioteca Central e dizendo como vai fazer para torná-la uma Biblioteca Universitária; não lembro de alguém dizendo de onde virá a verba e como fará para que a Editora Universitária se integre ao padrão Qualis, exigido pela CAPES. Alguém sabe explicar porque a UFRN recebe uma verba considerável para a sua editora e a verba da nossa é irrisória?.


Só haverá mudança, quando se mudar radicalmente o discurso. Mas isto desagradará a muita gente e num sistema eleitoral essas ideias não são bem-vindas... É lamentável tudo o que ocorre. E o nível da campanha já começou a mostrar a sua cara, com panfletos anônimos fazendo denúncias de candidatos, como o que se encontrava pregado no para-brisa do meu carro, quando saí ontem, às 22:30 da UFPB. Acho que era por ser sexta-feira, 13...


Insisto: não só podemos fazer melhor, como devemos fazer melhor. E devemos começar com a mudança das pequenas coisas, para ver se não apenas fitamos os Andes, mas se subimos a cordilheira.





.




Deixe o seu comentário







Respeitamos o direito de opinão e expressão. O espaço para comentários é um espaço democrático destinado às opiniões relativas ao texto originalmente publicado.
Não serão publicadas quaisquer mensagens com conteúdo calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade, ou, ainda, que desrespeitem a privacidade alheia, que tenham caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas, ou, ainda, que tenham linguagem grosseira e/ou obscena.
Não serão publicados comentários que tentam se aproveitar deste espaço democrático para “destacar” outros sítios ou blogues ou, ainda, que tenham por objetivo comercializar produtos ou serviços.
Comentários anônimos, desconexos ou sem sentido em relação ao tema comentado também serão descartados.




Copyright © 2002/2017 - O Bê-á-bá do Sertão - Todos os direitos reservados
Contatos: (0xx83) 99967.1500 - Paraíba - Brasil
E-mail para contatocomercial@obeabadosertao.com.br