O Bê-a-bá do Sertão - Paraíba - QUE UNIVERSIDADE QUEREMOS?
Milton Marques Milton Marques Júnior é Professor da Universidade Federal da Paraíba.


26.03.2012 - João Pessoa

QUE UNIVERSIDADE QUEREMOS?

     
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Neste exato momento, segunda-feira, dia 26 de março, 07:50 da manhã, estou na universidade tentando trabalhar. Cheguei às 07:15, visto que, hoje não tenho aula às 07:00 horas. Estamos sem energia no segundo andar do novo prédio do CCHLA, pois o disjuntor principal do quadro de energia desse piso não funciona. Volto ao antigo espaço de trabalho, o ambiente 4 dos professores, e constato que a internet não funciona, embora tenha energia e ar condicionado. Apesar de barulhento e empoeirado, o ar consegue resfriar um pouco este resto de canícula, que ainda estamos vivendo.



Fico me perguntando que Universidade queremos e que Universidade temos. Não temos internet sem fio, que cubra todo o espaço do Campus. Se temos computadores, falta-nos o anti-vírus; se temos a impressora, falta-nos a tinta; se temos os quadros de pincel, os pincéis comprados são os piores possíveis, que não sustentam uma aula inteira e, às vezes, secam na caixa, antes de sua utilização. Temos sanitários, mas, de um lado, diante da falta de educação de alguns usuários, e, de outro lado, diante da má-administração, em pouco tempo, eles ficarão inacessíveis de imundos...



O que temos de sobra na nossa Universidade? A vontade de alguns professores e de alguns alunos, que se esforçam para que a Universidade possa ser Universidade. Mas isto é a exceção. Temos mesmo é uma Universidade que virou, pelo menos o CCHLA, um centro de festas nas sextas-feiras à noite. Na sexta-feira, dia 16 de março, quando saí às 22:20h, havia uma barraca de bebidas alcoólicas, montada na Praça da Alegria, e som nas alturas no estacionamento. Na sexta-feira passada, dia 23, quem chegava para dar aula às 19h, era impedido de fazer o percurso da Reitoria ao CCHLA, pois o espaço estava fechado para uma festa, calourada ou coisa que o valha, que ia acontecer. Ao término das aulas, Às 22:20h, o espaço entre o CCHLA e a Biblioteca fervilhava de gente com copos de bebidas na mão, o fedor da maconha impregnava o ar, pessoas - rapazes e moças - com vestimentas sumárias, o som nas alturas se multiplicando dos carros estacionados, sem falar no palco montado diante do Centro de Vivência. Era a confusão estabelecida, para quem desejava pegar seu carro e ir para casa. No dia seguinte, sábado, 24, vim dar aula, no curso de extensão em Língua Latina, e a Universidade parecia uma praça de guerra, com o lixo dando no meio da canela. Lixo que ia da Bilblioteca à Praça da Alegria do CCHLA(hoje, ainda há os resquícios, para quem quiser ver...).



Não acho que a Universidade seja para estas coisas. Pessoalmente, nada tenho contra o consumo do que quer que seja, em nível privado, pois defendo que as pessoas, privadamente, usem o que quiserem, desde que não prejudiquem o outro. Em um espaço público, principalmente, um espaço universitário, isto é demais. A Universidade como espaço público está sujeita às mesmas leis dos outros espaços públicos e quem nela estiver também. Em princípio, a ninguém é dado o direito de fechar a circulação e complicar o já complicado trânsito noturno da Universidade.


Estes são alguns problemas reais que deveriam ser atacados de imediato pelos gestores ou que deveriam constar como ponto de pauta dos candidatos a gestores. Gostaria mesmo de ouvir os candidatos a Reitor se pronunciarem a respeito, pensando na Universidade e em quem acredita nela, e não em votos. É preciso lembrar que administrar é contrariar os interesses de alguns, em benefício do que é melhor para a maior parte da população.



Milton Marques Júnior
Professor do Curso de Letras – Línguas Clássicas





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