O Bê-a-bá do Sertão - Paraíba - Morre Gabriel García Márquez, vencedor do Nobel de Literatura
Cultura e Lazer 17.04.2014 - Ficcionista do século XX:

Morre Gabriel García Márquez, vencedor do Nobel de Literatura

     
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Cidade do México(México) - O escritor Gabriel Garcia Márquez morreu nesta sexta-feira(17Abril2014) no México, onde estava internado desde o dia 31 de março devido a um quadro de desidratação e infecção pulmonar. Considerado um dos maiores ficcionistas do século XX, Gabriel García Márquez fez carreira como um dos maiores representantes da literatura latino-americana.


Nascido em Aracataca, Colômbia, no dia 6 de março de 1928, Gabriel García Márquez, carinhosamente chamado pelos amigos de ‘Gabo’, começou no jornalismo aos 20 anos escrevendo artigos curtos para o jornal 'El Espectador'.


Depois de um breve período como repórter do ‘El Universal’, ele finalmente desistiu de estudar direito para se concentrar em tempo integral ao jornalismo. Ele se mudou para Barranquilla para trabalhar no jornal 'El Heraldo'.


Com o tempo ele se tornou um dos maiores jornalistas da América Latina e, em 1994, junto com o irmão Jaime García Márquez e com Jaime Abello Banfi, então diretor de um canal regional da região do Caribe e a Colômbia(Telecaribe), criou a Fundação do Novo Jornalismo Ibero-Americano em Cartagena de Indias com a intenção de educar os futuros profissionais.


Junto com o trabalho de jornalista, ele exerceu a profissão de escritor e publicou diversos contos. Em 1955, ele publicou seu primeiro romance, chamado 'O Enterro do Diabo: a Revoada'.


Ele se tornaria famoso com a publicação de 'Cem Anos de Solidão' em 1967, obra que escreveu em 18 meses. Considerado um dos mais importantes romances do século XX, marcou uma reviravolta em sua carreira. O sucesso foi imediato: em poucos dias a primeira edição se esgotou e, em três anos, vendeu mais de meio milhão de cópias.


Em 1982, ele foi contemplado com o Prêmio Nobel de Literatura. De acordo com Academia Sueca, ele mereceu o prêmio pelo conjunto 'de seus livros e contos, nas quais o fantástico e o realístico são combinados em um mundo rico composto com a imaginação'.


Durante os primeiros anos da década de 60, o lugar no qual o escritor se inspirava era o escritório que tinha em sua casa no México, onde ele compôs algumas de suas criações mais memoráveis tais como a obra-prima 'Cem Anos de Solidão'.


Anos depois, a partir de 1974, o escritor começaria a se dividir entre sua residência no México e Cartagena de Indias, Havana e Paris, lugares que mudariam tanto sua vida pessoal como sua produção.


Ele também viveu por um breve período em Barcelona, para onde se mudou em 1969. Seu tempo na Espanha foi decisivo para a liderança da onda de valorização da literatura espanhola.


Em 1960, depois da vitória de Fidel Castro na Revolução Cubana, ele viveu em Havana por seis meses, trabalhando para a 'Prensa Latina', uma agência de propaganda criada pela ditadura castrista em resposta às notícias negativas sobre o país.


Seu relacionamento com Cuba e em especial com o ditador Fidel Castro foi fundamental para sua vida. García Márquez não apenas o admirava como o líder como se alinhava com sua ideologia comunista.


Sua paixão pela cultura latino-americana não apenas se refletiu em seu trabalho literário, mas também em suas atitudes políticas.


Durante os anos 70, com a proliferação de ditaduras na América Latina, o escritor teve consistente atuação como defensor dos direitos humanos. Ele também foi mediador das conversas entre guerrilheiros colombianos e o governo de seu país, realizadas em Cuba.


Sua atuação como líder de esquerda lhe aproximou de lideranças como o palestino Yasser Arafat, que conheceu durante visita do árabe a Cartagena.


Depois de sua formatura no ano de 1947, 'Gabo' descobriu a paixão pelo escritor tcheco Franz Kafka. Lendo 'Metamorfose' ele descobriu sua voz enquanto escritor e se inspirou para inventar o que mais tarde se tornaria conhecido como “realismo fantástico”.


O americano William Faulkner também seria uma grande inspiração. Atraído pelo uso constante de monólogos interiores e a inclusão de múltiplos narradores e saltos no tempo em sua narrativa, García Márquez afirmou em muitas ocasiões que o escritor foi uma de suas maiores inspirações.


Outras de suas grandes influências foram James Joyce e Virginia Woolf, além de Ernest Hemingway, vencedor do Pulitzer em 1953 por 'O Velho e o Mar' e do prêmio Nobel pelo conjunto da obra. Em 2000, Gabo foi fotografado com Arthur Miller.


Em 2007, após 24 anos de ausência em sua cidade natal, ele voltou para Aracataca, junto com sua mulher, Mercedes Barcha, para participar de uma homenagem do governo colombiano pelos seus 80 anos e os 40 anos passados da primeira edição de 'Cem Anos de Solidão'.


Ele conheceu a mulher em Sucre e a união aconteceu em 1958, na igreja Nuestra Señora del Perpetuo Socorro, em Barranquilla. Mercedes foi sua grande companheira na vida e mãe de seus dois filhos.


Em 1959, tiveram o primeiro, Rodrigo, que se tornaria cineasta. Anos mais tarde, nasceu Gonzalo - que hoje é designer gráfico no México.


Enquanto os anos passaram, García Márquez conquistou mais fãs. Sua vasta obra inclui 'Ninguém escreve ao coronel', de 1961, uma de suas obras com maior destaque, escrita durante temporada em Paris, cidade onde foi correspondente em meados dos anos 1950. Mais tarde ele escreveria 'Cem Anos de Solidão', seu maior sucesso.


Outros trabalhos foram aclamados, como 'O Outono do Patriarca'(1975); 'Crônica de Uma Morte Anunciada'(1981) e 'O Amor nos Tempos de Cólera'(1985), que virou filme. Mais tarde escreveria 'O General no seu Labirinto'(1989), 'Do Amor e Outros Demônios'(1994) e 'Notícias de Um Sequestro'(1997).


Em 1999, ele foi diagnosticado com câncer linfático. Passou por um tratamento intensivo. Em 2002, depois da sofrida luta contra a doença, publicou um livro de memórias de 800 páginas chamado 'Viver para Contar”. Dois anos mais tarde publicaria 'Memória de Minhas Putas Tristes' e, finalmente, em 2010 publicou 'Eu não Vim Fazer um Discurso', seu último trabalho.


García Márquez recebeu muitas homenagens e prêmios em toda a vida. O mais conhecido é o Prêmio Nobel de Literatura, mas ele também recebeu um título Honoraris da Universidade de Columbia, Nova York(1971), e da Universidade de Cadiz(1994). Em 1981, ele recebeu a medalha de honra da Legião Francesa em Paris e, quatro anos depois, foi condecorado pela associação de jornalistas de Bogotá for seus 40 anos de carreira.


No dia 25 de março de 2010, o governo de seu país terminou de reformar a casa em que ele nasceu em Aracataca e abriu um museu em sua memória, com mais de 14 ambientes que recriam os lugares em que passou sua infância.


No dia 6 de julho de 2012, o irmão do escritor Jaime García Márquez publicou no Twitter que o escritor colombiano sofria de demência senil e que estava perdendo pouco a pouco a memória. Ele afirmou que a doença teve início em 1999 com o tratamento contra o câncer.


Como o escritor se retirou da vida pública logo após publicar o último livro, muitos rumores sobre seu estado de saúde se espalharam. Recentemente, a família do escritor confirmou que sua saúde 'estava muito frágil'.


Gabriel García Márquez será lembrado como o maior ícone do realismo mágico, um gênero que mesclava elementos fantásticos com a narrativa realista. Considerado um dos maiores escritores de sua época, foi o único escritor colombiano contemplado com um prêmio Nobel.

 

                       

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