O Bê-a-bá do Sertão - Paraíba - O estranho caso do brasileiro preso com US$ 20 milhões nos EUA
Policial 26.01.2017 - Guardados em colchão:

O estranho caso do brasileiro preso com US$ 20 milhões nos EUA

     
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O estranho caso do brasileiro preso com US$ 20 milhões nos EUA


Esconder o dinheiro no colchão é uma das mais antigas formas de guardar as economias.


Mas as autoridades do Estado americano de Massachusetts descobriram uma fortuna de milhões de dólares ocultada embaixo de um colchão por um brasileiro por motivos que são, digamos, muito mais ligados ao século 21.


A polícia acredita que o dinheiro tivesse ligado a um esquema de pirâmide financeira no valor de US$ 1 bilhão da empresa Telexfree, que afirmava oferecer serviços de telefonia pela internet no mundo todo.


Na pirâmide financeira, modelo comercial bastante utilizado para golpes, as pessoas geralmente são convencidas a investir e a trazer outras pessoas para o negócio, recebendo um percentual para cada participante atraído.


No total, foram apreendidos no colchão US$ 20 milhões(R$ 63,5 milhões). O dinheiro foi achado em um apartamento da cidade de Westborough, no último dia 4.


As autoridades acreditam que os US$ 20 milhões encontrados na cama do brasileiro estão relacionados com a Telexfree.


Os investigadores descobriram a quantia enquanto seguiam Cléber Rene Rizério Rocha, de 28 anos. Ele foi preso.



O esquema
Os promotores americanos afirmam que a Telexfree, já desativada, enganou quase um milhão de pessoas em todo o globo.


De acordo com as autoridades, a companhia obteve a maior parte de seu dinheiro a partir de pessoas que entravam no esquema com a promessa de receber pagamentos da empresa caso publicassem propaganda online do serviço de VoIP(telefonia via internet).


Esses investidores seriam compensados ainda ao atrair novos participantes, frequentemente familiares e amigos.


As investigações apontam que o pedido para que os promotores publicassem propaganda do serviço na web não fazia muita diferença para a Telexfree.


A companhia obtinha menos de 1% de sua renda a partir das vendas de seu serviço de telecomunicação - os outros 99% vinham do que os novos participantes pagavam para se inscrever no esquema.



Lavagem de dinheiro
O gabinete da Procuradoria Federal americana divulgou pelo Twitter uma foto do dinheiro encontrado no apartamento de Rocha.


Ele foi acusado de conspiração para lavagem de dinheiro. Na segunda-feira, a Justiça negou liberdade condicional ao brasileiro, argumentando risco de fuga.


Os promotores afirmam que Rocha fazia parte de uma organização que transferia milhões de dólares, supostamente associados à Telexfree, para o Brasil, lavando o dinheiro via Hong Kong.


Em maio de 2014, as autoridades americanas acusaram James M. Merrill e Carlos N. Wanzeler, administradores da Telexfree, de conspiração para cometer fraudes.


Merrill foi preso e se declarou culpado. Wanzeler, que nasceu no Brasil, está foragido - as autoridades acreditam que ele esteja escondido em solo brasileiro.


"A Telexfree supostamente fazia um marketing agressivo de seus serviços de VoIP(telefonia pela internet) recrutando milhares de 'promotores' que publicavam propagandas do produto na internet", informou o Departamento de Justiça dos Estados Unidos em um comunicado em sua página na web.


"Esses acusados criaram um sistema que tomou centenas de milhões de dólares de trabalhadores ao redor do mundo".


Entre janeiro de 2012 e março de 2014, a Telexfree afirmou recrutar "promotores" ou "divulgadores" para vender seu serviço de VoIP.


Dinheiro era lavado via Hong Kong, afirmam autoridades.

"Cada promotor tinha que 'investir' na Telexfree. Depois eles eram compensados toda semana pela empresa, obedecendo a uma estrutura complexa, sempre e quando publicassem propagandas na web para o serviço", dizem as autoridades americanas.


A pirâmide financeira continuou funcionando até abril de 2014, quando a Telexfree entrou com um pedido de proteção contra falência, o que nos Estados Unidos significa pedir uma chance para reorganizar suas dívidas e tentar pagar os credores.


Em 2014, a promotora americana Carmen Ortiz disse que "a magnitude dessa suposta fraude é de tirar o fôlego".

                       

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