O Bê-a-bá do Sertão - Paraíba - SARAMPO - Doença reemergente
Orniudo Fernandes Médico clínico-infectologista. Membro da Câmara de Infectologia do CRM-PB. Professor Adjunto aposentado da Universidade Federal da Paraíba. Membro Titular da Academia Paraibana de Medicina e Presidente da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, do Hospital Napoleão Laureano de João Pessoa(PB).


24.09.2019 - João Pessoa

SARAMPO - Doença reemergente

     
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O reaparecimento do sarampo é muito preocupante.

No século passado, foi a doença responsável pelo maior número de morte em crianças desnutridas em todo o território brasileiro. Em 2016, o Brasil recebeu o certificado de eliminação da circulação do vírus, emitido pela Organização Pan Americana de Saúde.

Os casos começaram a ser diagnosticados nos estados do norte do País, com o afluxo de imigrantes vindos da Venezuela. Amazonas, Roraima, Rondônia, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul são estados que confirmaram casos de sarampo este ano.

A falta de cobertura vacinal, concorreu para o surgimento da doença. Outro fator determinante foi o trabalho do Dr. Andrew Wakefield, publicado na conceituada revista Lancet, descrevendo a possível associação da vacina MMR em crianças com comportamento autista e inflamação intestinal. O dia 26 de fevereiro de 1998, marcou o início de uma desconfiança internacional sobre as vacinas começando pelo Reino Unido e se estendeu ao redor do mundo.

No início do mês de abril de 2019, autoridades em Nova Iorque declararam emergência de saúde pública, em diversas áreas do Brooklyn, após surto de sarampo ter afetado a comunidade judaico-ortodoxa.

O sarampo é doença infecciosa, muito contagiosa, causada por vírus, prevenida pela vacinação – vacina MMR. A transmissão ocorre diretamente de pessoa a pessoa, através da eliminação pelo doente de secreções ou gotículas provenientes da boca, nariz e garganta, eliminadas através da tosse, espirro, beijo, ou falando e respirando muito próximo.

Os principais sintomas e sinais são: febre alta e tosse persistente, coriza(secreção nasal), conjuntivite e manchas avermelhadas na pele que se iniciam no rosto, atrás das orelhas, progredindo para todo o corpo. Estas manchas são chamadas de exantemas.

Deve-se ficar atento para a ocorrência de formas atípicas quando há o deslocamento de casos para faixas etárias em adultos ou pessoas que não receberam vacinação anterior ao surto.

A maioria dos casos de sarampo pode ser tratado em casa, com medicação para combater a febre, vômitos e diarreia se ocorrer, oferta de líquidos frequentes, frutas e nebulizações.

A internação deve ser indicada quando há complicações respiratórias, sinusites, otites, laringites, pneumonias e infecções intestinais.


* Francisco Orniudo Fernandes
   CRM/PB - 1396




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