O Bê-a-bá do Sertão - Paraíba - O ENTERRO ORIGINAL DE QUIM
Orniudo Fernandes Médico clínico-infectologista. Membro da Câmara de Infectologia do CRM-PB. Professor Adjunto aposentado da Universidade Federal da Paraíba. Membro Titular da Academia Paraibana de Medicina e Presidente da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, do Hospital Napoleão Laureano de João Pessoa(PB).


09.11.2014 - João Pessoa

O ENTERRO ORIGINAL DE QUIM

     
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Nasci e morei em Uiraúna(PB) até o ano de 1963, quando parti para Campina Grande a fim de prosseguir com os meus estudos.


Durante os anos que vivi em minha terra natal, na infância e adolescência, observei que os mortos das localidades da zona rural, eram conduzidos por seus familiares ou amigos, dentro de uma rede, pendurados em um pau, para serem enterrados. No percurso do sítio à igreja, e, posteriormente, até o cemitério, havia pausas para tomar café com bolo, ou mesmo, uma cachaça.


Esta imagem está bem retratada no livro e filme , “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Mello Neto. No enterro tradicional, o cadáver é colocado dentro de um caixão, para ser transportado pelos seus entes queridos ou admiradores para a igreja, onde o corpo é encomendado pelo vigário, para depois prosseguir até o Campo Santo. Todo o percurso era feito a pé.


Em alguns sepultamentos de figuras de destaque da sociedade, o féretro era acompanhado com músicas fúnebres executadas pela Banda de Música Jesus Maria e José, da Paróquia da cidade. Atualmente, o morto é conduzido em um carrinho de rodas, onde é colocado o caixão, que é empurrado pelos participantes do cortejo, ou, é colocado no interior de um veículo adaptado para esta finalidade(carro fúnebre).


No dia 5 de novembro/2014, faleceu Quim, ou Mestre Quim, com 84 anos, o maior representante da folia carnavalesca de Uiraúna.Ele era um homem de origem humilde, que exerceu durante toda a sua vida a profissão de marceneiro. A sua grande paixão era o Carnaval, sendo idealizador de um bloco carnavalesco, e, comandava o Carnaval dos Pobres. Antes de morrer, Quim fez alguns pedidos originais aos seus familiares: 1) que o seu cortejo fosse acompanhado com fogos de artifícios, 2) tocando músicas carnavalescas e 3) que ninguém chorasse.


Na frente do carro que conduzia o seu corpo, uns jovens conduziam coroas de flores, um carrinho de som tocava músicas carnavalescas, com destaque para Vassourinha. Muita gente acompanhava atrás, e, ao lado do carro fúnebre, além de bicicletas, motos e automóveis. Mestre Quim deixou a sua marca do grande amor a maior festa popular do Brasil- O Carnaval.






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